Funatura promove debate sobre carbono, conservação e incentivos financeiros no Cerrado

Especialistas e instituições debateram estratégias para fortalecer a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável no Cerrado.

A Funatura realizou, nesta quinta-feira (28), em Brasília (DF), o evento “Onde a Onça Bebe Água: Carbono, Conservação e Incentivos no Cerrado”. Promovida por meio do projeto Onde a Onça Bebe Água: Comunidades e Bem-Viver, a iniciativa foi executada pela Funatura em parceria com a Petrobras, no âmbito do programa Petrobras Socioambiental.

O econtro  reuniu representantes de instituições públicas, organizações socioambientais, especialistas e setor privado para debater caminhos e oportunidades relacionados aos créditos de carbono, conservação da biodiversidade e mecanismos financeiros voltados à proteção do Cerrado.

Realizado no auditório do Prevfogo/IBAMA, o encontro promoveu diálogos sobre conservação em áreas privadas, corredores ecológicos para onça-pintada, mercado de carbono, restauração ecológica e incentivos financeiros capazes de fortalecer iniciativas de conservação no território.

Conservação, carbono e inclusão social

O superintendente executivo da Funatura, Pedro Bruzzi, destacou a importância do encontro para a construção de estratégias inovadoras de conservação no bioma.

Segundo Pedro, o evento representa um momento importante para consolidar novas perspectivas para a conservação em áreas privadas no Cerrado.

Essa oficina está proporcionando a materialização de estratégias fundamentais para a conservação do Cerrado na escala da paisagem. Entendemos que, na medida em que conseguirmos avançar com os créditos de biodiversidade e créditos de carbono, especialmente voltados às RPPNs, é possível transformar a conservação da natureza em um bom negócio, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos”, afirma.

Foto: Lara Réquia

Pedro também ressaltou que o projeto prioriza ações de inclusão social e fortalecimento comunitário antes mesmo da geração de créditos de carbono.

A gente inicia o nosso trabalho com ações de inclusão social, ações de restauração, ações de monitoramento da biodiversidade e o crédito de carbono vai sendo conquistado ao longo de um trabalho consistente, sólido e de longo prazo no território”, destaca.

Integrando desenvolvimento social com conservação 

Representando a Petrobras, Gregório da Cruz Araújo reforçou a importância de integrar conservação ambiental e desenvolvimento social nas iniciativas apoiadas pela empresa.

Segundo ele, os projetos precisam gerar impacto positivo nos territórios antes da monetização dos serviços ecossistêmicos.

Foto: Lara Réquia

A gente tenta articular questões sociais e ambientais entendendo que sociedade e meio ambiente são um todo integrado. A partir dessa articulação entre conservação, empoderamento comunitário e desenvolvimento de competências, os serviços ecossistêmicos passam a ser valorizados”, afirma.

Gregório também destacou que projetos de conservação e restauração já contribuem diretamente para a captura de carbono e redução de emissões, sendo fundamental avançar na quantificação e valorização desses serviços ecossistêmicos.

Corredores ecológicos para onça-pintada

Durante o evento, a coordenadora do projeto Onde a Onça Bebe Água, Samantha Rincón, apresentou os estudos de modelagem de corredores ecológicos para onça-pintada nas áreas de atuação do projeto.

Segundo Samantha, o trabalho busca identificar áreas prioritárias para manutenção da conectividade entre populações da espécie no Cerrado.

Foto: Lara Réquia

Estamos tentando descobrir quais são os corredores ecológicos que as onças estão utilizando para se movimentar entre unidades de conservação e áreas núcleo nas regiões de atuação do projeto”, explica.

Ela destacou ainda que os dados levantados ajudam a orientar ações estratégicas de conservação em propriedades privadas.

Precisamos encontrar mecanismos financeiros capazes de apoiar a conservação em áreas privadas e gerar renda associada à conservação da natureza. Isso também pode estimular a criação de novas RPPNs e fortalecer a conectividade das populações de onça-pintada”, afirma.

Construção de soluções para o Cerrado

A programação contou ainda com debates sobre legislação climática, metodologias para créditos de biodiversidade, PSA Carbonflor, estudos técnicos de viabilidade para geração de créditos de carbono e uma mesa redonda sobre desafios e oportunidades para implementação de mecanismos financeiros no Cerrado.

O evento reforça o compromisso da Funatura com a construção de soluções integradas para conservação da biodiversidade, fortalecimento comunitário e desenvolvimento sustentável no Cerrado, conectando natureza, pessoas e territórios.

A transmissão completa do evento está disponível no canal da Funatura no YouTube: